Criança internada há mais de 4 anos é alfabetizada em hospital na PB: 'aprendi a ler e a contar'

Por Vale do Piancó -PB em 14/09/2021 às 10:35:31
Formatura do ABC aconteceu na UTI da unidade em que ela está internada, em Campina Grande. Criança internada há mais de 4 anos participa de formatura do ABC no hospital

A pequena Alexsandra Barbosa, de 9 anos, passou metade da vida internada no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande. Lelê, como ela é carinhosamente conhecida, est√° h√° quatro anos e meio em uma UTI infantil, mesmo local em que aprendeu a ler, com a ajuda da equipe de profissionais da unidade de saúde.

No último dia nove de setembro, ela vivenciou uma formatura simbólica e recebeu o diploma, que indica que est√° apta para ingressar no ensino fundamental, algo que ela promete tirar de letra, se mantiver o mesmo desempenho da alfabetiza√ß√£o.

“Foi f√°cil. Aprendi a ler e a contar até 10”, confessou.

A menina tem distrofia muscular congênita e é dependente de ventila√ß√£o mec√Ęnica. Por isso, n√£o chegou a ir a uma escola.

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O processo pedagógico come√ßou em 2020, mas com a pandemia de Covid-19 teve uma pausa e retornou em 2021. O trabalho multidisciplinar contou com as participa√ß√Ķes dos profissionais dos setores de servi√ßo social, psicologia, UTI infantil e da Secretaria de Educa√ß√£o do município de Juazeirinho, de onde a garota é natural.

A m√£e de Lelê, Edilane Barbosa, contou que a menina amava as aulas e que notou uma melhora na intera√ß√£o dela com as outras pessoas, depois do início do processo de alfabetiza√ß√£o.

“Hoje eu acho ela outra pessoa, depois que ela come√ßou a ter aulas. É uma satisfa√ß√£o muito grande para uma m√£e," contou sobre a filha única.

A psicopedagoga do hospital, Siudete Costa, relatou um pouco sobre como se sentiu durante o processo de alfabetização da pequena.

Lelê, ao lado dos pais, na formatura do ABC

Jo√£o da Paz/Ascom Trauma CG

“Para mim foi muito gratificante, mas principalmente ao conhecer Lelê, a minha vontade foi de dar a ela a oportunidade do saber. É maravilhoso ver o direito da crian√ßa acontecer em um mundo que só vemos viola√ß√£o de direitos”, refor√ßou.

Os estudos dela v√£o continuar, mas agora, com aulas remotas, por meio de um tablete enviado pela prefeitura de Juazeirinho.

Sonho de voltar para casa

Na data em que comemorou a formatura, Alexsandra revelou ter um sonho.

“Eu só queria voltar pra casa, brincar com meu primo”, disse.

O desejo foi reforçado pelo pai dela, Adeildo dos Santos.

“Meu sonho é ela ir pra casa, ficar ao lado da família”.

Os profissionais do hospital disseram que estudam essa possibilidade. Mas, para que isso aconte√ßa, Lelê precisa contar uma equipe técnica que fique à sua disposi√ß√£o durante as 24 horas do dia.

Ter aulas no ambiente hospitalar é um direito

É um direito do aluno garantido por lei ter aulas no ambiente hospitalar. De acordo com o artigo 214 da Constitui√ß√£o Federal, o Poder Público deve conduzir à universaliza√ß√£o do atendimento escolar.

J√° a Lei de Diretrizes e Bases da Educa√ß√£o Nacional assegura que o Poder Público deve criar formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino, podendo se organizar de diferentes maneiras para garantir o processo de aprendizagem. Diante disso, um parecer do Conselho Nacional de Educa√ß√£o torna o atendimento obrigatório tantos nos hospitais quanto nos servi√ßos de atendimento ao paciente em casa.

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